Elogio da dialética

A injustiça avança hoje a passo firme;
Os tiranos fazem planos para dez mil anos.
O poder apregoa: as coisas continuarão a ser como são
Nenhuma voz além da dos que mandam
E em todos os mercados proclama a exploração;
isto é apenas o meu começo.

Mas entre os oprimidos muitos há que agora dizem
Aquilo que nós queremos nunca mais o alcançaremos.

Quem ainda está vivo não diga: nunca
O que é seguro não é seguro
As coisas não continuarão a ser como são
Depois de falarem os dominantes
Falarão os dominados
Quem pois ousa dizer: nunca
De quem depende que a opressão prossiga? De nós
De quem depende que ela acabe? Também de nós
O que é esmagado que se levante!
O que está perdido, lute!
O que sabe ao que se chegou, que há aí que o retenha
E nunca será: ainda hoje
Porque os vencidos de hoje são os vencedores de amanhã.

Bertolt Brecht


segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Um problema: duas formas de enxergar a solução

Um problema: duas formas de enxergar a solução:
Hipótese 1: duas crianças brigando e você pensa que a melhor solução para que isto não ocorra novamente é por meio do castigo de uma ou ambas. Logo, pela repressão, pelo medo.
Hipótese 2: duas crianças brigando e você quer tentar entender o porquê que elas chegaram a tal conflito, considerando que a causa pode ser oriunda da reprodução do comportamento observado dos adultos (brigas de trânsito, discussões familiares, castigos corporais por terem feito uma travessura etc) ou simplesmente por manifestarem um instinto inerente a todo o ser humano (a raiva). Neste caso a solução vem da compreensão e, por meio do diálogo e exemplos, tentando inspirá-las a resolver seus conflitos de forma pacífica. É certo que esta solução é mais trabalhosa e requer muito mais paciência.
Se escolheste a primeira opção, você acredita no Direito Penal para solução de todos os males. Caso tenha escolhido a segunda opção, percebeste que a solução para a resolução de conflitos é um pouco mais complexa e envolve outros saberes que não só o das ciências jurídicas e sociais.
Talvez Deus, inicialmente uma consciência única, tenha se subdividido em múltiplas consciências, democratizando de certa forma o poder de cocriação do universo, o que pode eximi-lo da responsabilidade da existência de tantas mazelas.

Alianças Políticas podem não ser um mal em si

As alianças em si não parecem ser um mal. Vai depender do contexto e da estratégia política. É certo que alianças por interesses escusos (troca de cargos, politicagem barata etc) é uma coisa. Outra situação é ter a humildade de saber que ninguém é dono da verdade e que toda pretensão de ser autossuficiente pode redundar numa experiência totalitária que não vislumbra no outro a possibilidade de construir em conjunto - considerando semelhanças comuns - um ambiente promissor voltado ao debate democrático na sua característica mais marcante: a pluralidade ideológica que nos protege da cegueira deliberada decorrente de bolhas de pensamentos que não dialogam entre si.