Elogio da dialética

A injustiça avança hoje a passo firme;
Os tiranos fazem planos para dez mil anos.
O poder apregoa: as coisas continuarão a ser como são
Nenhuma voz além da dos que mandam
E em todos os mercados proclama a exploração;
isto é apenas o meu começo.

Mas entre os oprimidos muitos há que agora dizem
Aquilo que nós queremos nunca mais o alcançaremos.

Quem ainda está vivo não diga: nunca
O que é seguro não é seguro
As coisas não continuarão a ser como são
Depois de falarem os dominantes
Falarão os dominados
Quem pois ousa dizer: nunca
De quem depende que a opressão prossiga? De nós
De quem depende que ela acabe? Também de nós
O que é esmagado que se levante!
O que está perdido, lute!
O que sabe ao que se chegou, que há aí que o retenha
E nunca será: ainda hoje
Porque os vencidos de hoje são os vencedores de amanhã.

Bertolt Brecht


segunda-feira, 27 de novembro de 2017

A atualidade do filme Eles Vivem

Eles Vivem é um filme aparentemente tosco com efeitos especiais muito ruins, mas com uma mensagem via fábula atual, qual seja, a existência de uma elite que de forma não democrática, via domínio ideológico, principalmente pelos meios de comunicação, dominam e exploram as massas que estão adormecidas.

O personagem principal por meio de um óculos especial consegue enxergar para além da aparência e assim verifica a existência de pessoas que sabem da verdade, mas que nesse momento fazem a sua escolha: se vender em troca de riqueza e poder/prestígio ou se aliar a resistência num ato de empatia com os explorados. Trata-se, pois, de uma escolha existencial em última análise que até nem se pode julgar moralmente. Porém, após tal consciência vir à tona, pode ser um bom indício para guiar a que cada um está vocacionado e o que determinará sua realização pessoal/profissional.