Elogio da dialética

A injustiça avança hoje a passo firme;
Os tiranos fazem planos para dez mil anos.
O poder apregoa: as coisas continuarão a ser como são
Nenhuma voz além da dos que mandam
E em todos os mercados proclama a exploração;
isto é apenas o meu começo.

Mas entre os oprimidos muitos há que agora dizem
Aquilo que nós queremos nunca mais o alcançaremos.

Quem ainda está vivo não diga: nunca
O que é seguro não é seguro
As coisas não continuarão a ser como são
Depois de falarem os dominantes
Falarão os dominados
Quem pois ousa dizer: nunca
De quem depende que a opressão prossiga? De nós
De quem depende que ela acabe? Também de nós
O que é esmagado que se levante!
O que está perdido, lute!
O que sabe ao que se chegou, que há aí que o retenha
E nunca será: ainda hoje
Porque os vencidos de hoje são os vencedores de amanhã.

Bertolt Brecht


quarta-feira, 14 de setembro de 2016

A jogada inteligente de marketing do MPF.

A jogada inteligente de marketing do MPF.
Há como um parlamentar ou político ser contra as medidas para combater a corrupção propostas pelo MPF sem ser considerado pela opinião pública (senso comum) como favorável à corrupção?
A lógica diz que sim, já que posso ser a favor de outras medidas mais eficazes ou entender que tais medidas propostas não resolverão o problema, podendo até não só não resolvê-lo como criar outros mais graves.
Entretanto, até isso ser explicado para o senso comum ("até explicar que nariz do porco não é tomada..."), considerando o olhar sempre superficial (não raras vezes tendencioso) da imprensa tradicional sobre os fatos, provavelmente será colocado um rótulo de que o crítico em questão, por estar se opondo às medidas propostas pelo órgão ministerial, é a favor da corrupção.
Só para ficar numa crítica a qual foi trazida em aula que estou fazendo no curso popular da Defensoria Pública de São Paulo com relação à dita boa-fé do policial para admissão da prova ilícita: será que algum policial na condição de testemunha da acusação vai assumir que pode ter se equivocado, assumindo (ou correndo o risco de assim ser interpretado), pois, neste mesmo, que abusou da autoridade? Parece ingenuidade acreditar que sim...
Sugiro a todos acompanharem as questões que estão sendo trazidas para desconfiarem de soluções mágicas para problemas complexos...
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