Elogio da dialética

A injustiça avança hoje a passo firme;
Os tiranos fazem planos para dez mil anos.
O poder apregoa: as coisas continuarão a ser como são
Nenhuma voz além da dos que mandam
E em todos os mercados proclama a exploração;
isto é apenas o meu começo.

Mas entre os oprimidos muitos há que agora dizem
Aquilo que nós queremos nunca mais o alcançaremos.

Quem ainda está vivo não diga: nunca
O que é seguro não é seguro
As coisas não continuarão a ser como são
Depois de falarem os dominantes
Falarão os dominados
Quem pois ousa dizer: nunca
De quem depende que a opressão prossiga? De nós
De quem depende que ela acabe? Também de nós
O que é esmagado que se levante!
O que está perdido, lute!
O que sabe ao que se chegou, que há aí que o retenha
E nunca será: ainda hoje
Porque os vencidos de hoje são os vencedores de amanhã.

Bertolt Brecht


domingo, 31 de julho de 2016

A corrupção em si seria um mal?

Há dias publiquei alguns comentários acerca de uma palestra proferida pelo Professor Deltan Dellagnol numa aula inaugural na escola da magistratura federal do Paraná sobre as dez medidas anticorrupção propostas pelo MPF. Hoje tive a felicidade de assistir por indicação a uma palestra ministrada pelo Professor Maurício Stegemann Dieter sobre o fenômeno da corrupção, abordando o tema sobre um viés diametralmente oposto.

Ele traz exemplos de que a corrupção em si não seria um mal, dependendo do contexto, mormente no campo da política (neste contexto, os fins poderiam justificar os meios), citando o caso do Presidente norteamericano Abraham Lincoln que se utilizou da corrupção para aprovar o fim da escravidão nos EUA (mais detalhes encontrei também neste artigo http://www.ricardoorlandini.net/colunistas/ver/24/40539/lincoln-a-corrupcao-e-a-determinacao-por-mudar-um-pais/).


Segundo o referido jurista, conforme a literatura que trata desta temática, há cinco teorias (nenhuma envolvendo o campo penal) na literatura estrangeira (no Brasil não há muitos estudos sobre o fenômeno), que poderiam contribuir não para resolver (pois tal "problema" não teria ainda uma solução), mas diminuir a incidência de tal conduta, quais sejam: 1)a perspectiva econômica, 2) a perspectiva cultural; 3) perspectiva sociológica; 4) perspectiva individual, baseada na teoria da escolha racional; 5) perspectiva crítica.

Sustenta assim, numa linha crítica da criminologia, também fundamentado também na ideia foucaoultiana do isoformismo reformista, que o problema da corrupção não só não será resolvido com tais medidas defendidas pelo MPF, como também poderá ser agravado se implantadas. Um dado interessante seria o fato de na China continuar havendo muita corrupção apesar da previsão de pena capital para tal delito e ser esta sanção executada com frequência.

Ou seja, mais uma vez, indispensável muita prudência ao se analisar determinadas sugestões de medidas legais que teriam o condão de resolver mais um problema tão complexo como num passo de mágica.





sexta-feira, 29 de julho de 2016

Guerra de comunicação pelos sentidos da coisas.
Chega a ser cômico por vezes a guerra que se trava na comunicação, seja nas redes sociais, seja na mídia tradicional. É golpe, não é. A esquerda é assim, a direita é assado. Parece que as pessoas criticam determinado conceito/ideologia não pelo que realmente é, mas pelo que querem que ela seja de acordo com a visão delas. Não é a toa que não raras vezes se encontram pessoas mais conservadoras em partidos identificados com a esquerda e, por outro lado, pessoas com uma ideologia mais progressista em partidos ditos de centro ou direita...

quinta-feira, 28 de julho de 2016

O Político e o Inferno
Certo político morreu e viu diante de si um ser que disse:
"Você morreu e agora tem duas opções, você pode ficar no céu ou no inferno. Para decidir, você poderá passar um dia em cada um e ver como é".
Primeiro o político foi levado ao céu, e passou um dia maravilhoso, de paz, harmonia, com paisagens maravilhosas e outras coisas mais. No fim do dia o anjo se apresentou e disse:
"Agora vou levá-lo ao inferno, mas um aviso, não é minha responsabilidade o que acontece lá – cuidado".
De repente, ele se viu em frente a uma porta e o anjo sumiu. A porta se abriu e tchãnnn….. Uma tremenda festa rolando, muita gente, músicas, comida, bebida, tudo muito luxuoso. Velhos amigos disseram: Ei, olhe quem está lá, é o político fulano, vamos recebe-lo. Chamaram-no para dentro da festa e disseram: Que bom que você esta conosco, este lugar é demais, vamos fazer tantas coisas, nós temos tantos planos, amanhã faremos isso, o mês que vem aquilo e tal.
O político ficou deslumbrando, festa, alegria, amigos, projetos, planos, sonhos, quantas coisas…
No fim do dia, novamente o anjo o buscou. Em um local isolado, o anjo perguntou: "E então ja decidiu onde quer ir ?" O político ficou meio sem graça e terminou dizendo: "Me desculpe sr. anjo, mas eu quero ficar no inferno". O anjo perguntou: Tem certeza, ? Depois não haverá volta, é para sempre ! O político disse: "Estou completamente certo".

O anjo disse: "Tudo bem". O politico foi novamente transportado. De repente, uma porta se abriu e o político ficou aterrorizado. Ele viu uma cena de horror indescrítivel, fogo, todos sofrendo muito. O diabo, com um tridente o puxou para dentro e a porta fechou-se. O político então reclamou: "Que negócio é esse ? Ontém eu vim para cá… tinha festa, tinha tudo de bom, e disseram que ia ficar ainda melhor. Como pode ? ". Então o diabo disse: "Rapaz, é seguinte, é que óntem nós estavamos em campanha pelo seu voto, mas agora que já ganhamos, o negócio de agora em diante é assim – você já devia estar acostumado com este jogo !"

Inteligência Emocional

Dentre as diversas inteligências existentes de acordo com a teoria das múltiplas inteligências, desenvolver a inteligência emocial é indispensável:



http://exame.abril.com.br/carreira/noticias/12-estrategias-para-ter-mais-inteligencia-emocional

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Vídeos sobre a carga tributária no Brasil


A inteligência sem amor, te faz perverso
A justiça sem amor, te faz implacável
A diplomacia sem amor, te faz hipócrita
O êxito sem amor, te faz arrogante
A riqueza sem amor, te faz avaro
A docilidade sem amor te faz servil
A pobreza sem amor, te faz orgulhoso
A beleza sem amor, te faz ridículo
A autoridade sem amor, te faz tirano
O trabalho sem amor, te faz escravo
A simplicidade sem amor, te deprecia
A oração sem amor, te faz introvertido
A lei sem amor, te escraviza
A política sem amor, te deixa egoísta
A fé sem amor te deixa fanático
A cruz sem amor se converte em tortura
A vida sem amor...não tem sentido
Desconhecido

terça-feira, 26 de julho de 2016


32 citações Albert Einstein que abrirão sua cabeça:
1. “A IMAGINAÇÃO É MAIS IMPORTANTE QUE O CONHECIMENTO. O CONHECIMENTO É LIMITADO, ENQUANTO A IMAGINAÇÃO ABRAÇA O MUNDO INTEIRO, ESTIMULANDO O PROGRESSO, E DANDO ORIGEM À EVOLUÇÃO.”
2. “GRANDES ESPÍRITOS SEMPRE ENCONTRARAM VIOLENTA OPOSIÇÃO DE MENTES MEDÍOCRES. A MENTE MEDÍOCRE É INCAPAZ DE COMPREENDER O HOMEM QUE SE RECUSA A SE CURVAR CEGAMENTE AOS PRECONCEITOS CONVENCIONAIS E ESCOLHE EXPRESSAR SUAS OPINIÕES COM CORAGEM E HONESTIDADE. “
3. “EU, DE QUALQUER FORMA, ESTOU CONVENCIDO DE QUE DEUS NÃO JOGA AOS DADOS”.
4. “O IMPORTANTE É NÃO PARAR DE QUESTIONAR; A CURIOSIDADE TEM SUA PRÓPRIA RAZÃO DE EXISTIR “.
5. “A CIÊNCIA SEM RELIGIÃO É MANCA, E A RELIGIÃO SEM A CIÊNCIA É CEGA”.
6. “DUAS COISAS SÃO INFINITAS: O UNIVERSO E A ESTUPIDEZ HUMANA; E EU NÃO TENHO CERTEZA SOBRE O UNIVERSO. “
7. “SE APAIXONAR NÃO É A COISA MAIS ESTÚPIDA QUE AS PESSOAS PODEM FAZER. E A GRAVIDADE NÃO PODE SER RESPONSABILIZADA POR ISSO.” (DO INGLÊS “FALL IN LOVE”: CAIR NO AMOR, SE APAIXONAR – DAÍ A REFERÊNCIA COM A LEI DA GRAVIDADE)
8. “A MAIS BELA EXPERIÊNCIA QUE PODEMOS TER É O MISTÉRIO. É A EMOÇÃO FUNDAMENTAL QUE ESTÁ NO BERÇO DA VERDADEIRA ARTE E DA VERDADEIRA CIÊNCIA “.
9. “UMA PESSOA QUE NUNCA COMETEU UM ERRO, NUNCA TENTOU NADA NOVO.”
10. “EM VEZ DE SE TORNAR UM HOMEM DE SUCESSO, TENTE TORNAR-SE UM HOMEM DE VALOR”
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11. “O SEGREDO DA CRIATIVIDADE É: SABER COMO ESCONDER SUAS FONTES.”
12. “A DIFERENÇA ENTRE O GÊNIO E O ESTÚPIDO É QUE O GÊNIO TEM SEUS LIMITES.”
13. “A FRAQUEZA DA ATITUDE TRANSFORMA-SE EM FRAQUEZA DE CARÁTER.”
14. “MATEMÁTICA PURA É, À SUA MANEIRA, A POESIA DE IDEIAS LÓGICAS. “
15.” A NATUREZA NOS MOSTRA APENAS A CAUDA DO LEÃO. MAS EU NÃO TENHO DÚVIDA DE QUE O LEÃO EXISTA, MESMO QUE ELE NÃO PODE REVELAR-SE DE UMA VEZ POR CAUSA DE SEU ENORME TAMANHO. “
16.” SOMENTE UMA VIDA VIVIDA PARA OS OUTROS É UMA VIDA QUE VALE A PENA. “
17.” NÃO É QUE EU SOU INTELIGENTE, É QUE EU FICO COM OS PROBLEMAS POR MAIS TEMPO. “
18.” MINHA RELIGIÃO CONSISTE EM UMA HUMILDE ADMIRAÇÃO AO ESPÍRITO SUPERIOR E ILIMITADO QUE SE REVELA ATRAVÉS DOS LEVES DETALHES QUE SOMOS CAPAZES DE PERCEBER COM NOSSA MENTE FRÁGIL E DÉBIL. “
19. “A PAZ NÃO PODE SER MANTIDA À FORÇA. ELA SÓ PODE SER ALCANÇADA ATRAVÉS DA COMPREENSÃO. “
20.” EU NUNCA PENSO NO FUTURO. ELE VEM EM BREVE.”
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21. “NÃO SE PREOCUPE COM SUAS DIFICULDADES EM MATEMÁTICA, POSSO GARANTIR QUE AS MINHAS SÃO MAIORES”
22. “A FIM DE FORMAR UM IMACULADO REBANHO DE CARNEIROS UM DEVE, ACIMA DE TUDO, SER UMA OVELHA.”
23. “A COISA MAIS INCOMPREENSÍVEL SOBRE O MUNDO É QUE ELE É COMPREENSÍVEL.”
24. “A REALIDADE É MERAMENTE UMA ILUSÃO, EMBORA MUITO PERSISTENTE.”
25. “A VERDADE É AQUILO QUE RESISTE AO TESTE DA EXPERIÊNCIA.”
26. “A VIDA É COMO ANDANDO DE BICICLETA. PARA MANTER O SEU EQUILÍBRIO VOCÊ DEVE MANTER EM MOVIMENTO “
27. ” INSANIDADE É: FAZER A MESMA COISA VÁRIAS VEZES E ESPERAR RESULTADOS DIFERENTES “
28. “O CONHECIMENTO E AS HABILIDADES SOZINHOS NÃO PODEM LEVAR A HUMANIDADE A UMA VIDA FELIZ E DIGNA. A HUMANIDADE TEM TODAS AS RAZÕES PARA COLOCAR OS PROCLAMADORES DE ALTOS PADRÕES E VALORES MORAIS ACIMA DOS DESCOBRIDORES DA VERDADE OBJETIVA.”
29.” POUCAS PESSOAS SÃO CAPAZES DE EXPRESSAR COM EQUANIMIDADE OPINIÕES QUE DIFEREM DOS PRECONCEITOS DO SEU AMBIENTE SOCIAL. A MAIORIA DAS PESSOAS SÃO AINDA INCAPAZES DE FORMAR TAIS OPINIÕES.”
30.” O BOM SENSO NÃO É NADA MAIS DO QUE UM DEPÓSITO DE PRECONCEITOS ESTABELECIDOS PELA MENTE ANTES DE CHEGAR AOS DEZOITO ANOS”
31. “TODO MUNDO É UM GÊNIO. MAS, SE VOCÊ JULGAR UM PEIXE POR SUA CAPACIDADE DE SUBIR EM UMA ÁRVORE, ELA VAI PASSAR TODA A SUA VIDA ACREDITANDO QUE ELE É ESTÚPIDO.”
32. “NENHUM PROBLEMA PODE SER RESOLVIDO PELO MESMO GRAU DE CONSCIÊNCIA QUE O GEROU.”

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Repensando as 10 medidas anticorrupção propostas pelo MPF

Após assistir a esta aula ministrada pelo Professor e Procurador Deltan Dellagnol, passei a repensar as críticas (como as do Professor Jacinto Coutinho - https://www.ibccrim.org.br/boletim_artigo/5668-MPF-As-10-medidas-contra-a-corrupcao-sao-so-ousadas) que havia lido sobre as medidas  anticorrupção propostas pelo MPF (http://combateacorrupcao.mpf.mp.br/10-medidas/docs/resumo-medidas-frente-verso.pdf).

Os dados acerca da corrupção no país são alarmantes. Estima-se que cerca de 200 bilhões são desviados em crimes de corrupção por ano, cifras estas que superariam orçamentos inteiros, no âmbito federal, da saúde, educação ou segurança.

O argumento fulcral talvez resida no sentido de não ser da natureza de tais delitos a passionalidade e, dessa forma, o aumento das penas poderia pesar na decisão de quem pratica estas condutas (que normalmente ocorrem de forma pensada, sopesando os benefícios e riscos, segundo a opinião do Procurador, o que pode ser também muito discutível).

Outro argumento forte seria a experiência exitosa internacional de Hong Kong. Austrália, EUA e Reino Unido com a adoção de medidas similares.

 Sempre fui um crítico ácido do Direito Penal, mormente no que tange a sua ineficácia. Porém, com base na criminologia sob a ótica dos crimes do colarinho branco, segundo a visão do mencionado membro do MPF, a função do Direito Penal possa cumprir quiçá ao menos a função de prevenir a qual também sempre prometera.

Vale o tempo investido. Talvez ganhasse mais sentido ainda se houvesse uma profunda reforma tributária. A única preocupação que fica é serem relativizados ainda mais as garantias das pessoas mais vulneráveis economicamente.

De outra parte, não se pode esquecer que o governo Dilma já havia também apresentado propostas nesse sentido que ao que tudo indica estão engavetas. http://g1.globo.com/politica/noticia/2015/03/dilma-encaminha-ao-congresso-nacional-pacote-anticorrupcao.html

O momento para esta campanha parece oportuna na medida que, como refere o professor, segundo pesquisa, vigora no senso comum que o maior problema social seria a corrupção.

Abaixo uma entrevista do Professor Yuri Felix, estabelecendo alguns contrapontos. Vale lembrar que, diversamente do afirmado pelo Procurador Delton, a OAB, sim, também apresentou propostas de combate à corrupção (http://www.oab.org.br/noticia/27830/oab-nacional-propoe-17-medidas-de-combate-a-corrupcao).

A bem referida guerra de comunicação que existe hoje em disputa de significados de conceitos, como mencionada pelo Professor Delton, deve ser analisada com parcimônia. As medidas, em geral, parecem ser positivas. Entretanto, não se pode esquecer que, sozinhas, sem outras medidas, como uma reforma do sistema tributário que parece cada vez adquirir um caráter confiscatório e irracional, dificilmente haverá resultado, a não ser, de forma desfavorável, para os mais vulneráveis, como de costume.

Democracia ou capitalismo? Interessante abordagem de Boaventura

Democracia ou capitalismo?

A democracia perdeu a batalha mas só não perderá a guerra se as maiorias perderem o medo, se revoltarem dentro e fora das instituições e forçarem o capital a voltar a ter medo, como sucedeu há 60 anos

BOAVENTURA SOUSA SANTOS
A relação entre democracia e capitalismo foi sempre uma relação tensa, senão mesmo de contradição. O capitalismo só se sente seguro se governado por quem tem capital ou se identifica com as suas "necessidades", enquanto a democracia é o governo das maiorias que nem têm capital nem razões para se identificar com as "necessidades" do capitalismo, bem pelo contrário. O conflito é distributivo: a pulsão para a acumulação e concentração da riqueza por parte dos capitalistas e a reivindicação da redistribuição da riqueza por parte dos trabalhadores e suas famílias. A burguesia teve sempre pavor de que as maiorias pobres tomassem o poder e usou o poder político que as revoluções do século XIX lhe concederam para impedir que tal ocorresse. Concebeu a democracia liberal de modo a garantir isso mesmo, através de medidas que mudaram no tempo mas mantiveram o objetivo: restrições ao sufrágio, primazia absoluta do direito de propriedade individual, sistema político e eleitoral com múltiplas válvulas de segurança, repressão violenta de atividade política fora das instituições, corrupção dos políticos, legalização dos lóbis. E sempre que a democracia se mostrou disfuncional, manteve-se aberta a possibilidade do recurso à ditadura, o que aconteceu muitas vezes.
No imediato pós-guerra, muito poucos países tinham democracia, vastas regiões do mundo estavam sujeitas ao colonialismo europeu que servira para consolidar o capitalismo euro-norte-americano, a Europa encontrava-se devastada por mais uma guerra provocada pela supremacia alemã, e, no Leste, consolidava-se o regime comunista que se via como alternativa ao capitalismo e à democracia liberal. Foi neste contexto que surgiu o chamado capitalismo democrático, um sistema assente na ideia de que, para ser compatível com a democracia, o capitalismo deveria ser fortemente regulado, o que implicava a nacionalização de setores-chave da economia, a tributação progressiva, a imposição da negociação coletiva e até, como aconteceu na então Alemanha Ocidental, a participação dos trabalhadores na gestão das empresas. No plano científico, Keynes representava, então, a ortodoxia económica e Hayek a dissidência. No plano político, os direitos económicos e sociais foram o instrumento privilegiado para estabilizar as expectativas dos cidadãos e defendê-las das flutuações constantes e imprevisíveis dos "sinais dos mercados". Esta mudança alterava os termos do conflito distributivo mas não o eliminava. Pelo contrário, tinha todas as condições para o acirrar logo que abrandasse o crescimento económico, o que se registou nas três décadas seguintes. E assim sucedeu.
Desde 1970, os Estados centrais têm vindo a gerir o conflito entre as exigências dos cidadãos e as exigências do capital, recorrendo a um conjunto de soluções que gradualmente foram dando mais poder ao capital. Primeiro, foi a inflação, depois, a luta contra a inflação acompanhada do aumento do desemprego e do ataque ao poder dos sindicatos, a seguir, o endividamento do Estado em resultado da luta do capital contra a tributação, da estagnação económica e do aumento das despesas sociais decorrentes do aumento do desemprego e, finalmente, o endividamento das famílias, seduzidas pelas facilidades de crédito concedidas por um setor financeiro finalmente livre de regulações estatais, para iludir o colapso das expectativas a respeito do consumo, educação e habitação.
Até que a engenharia das soluções fictícias chegou ao fim, com a crise de 2008, e se tornou claro quem tinha ganho o conflito distributivo: o capital. Prova disso: o disparar das desigualdades sociais e o assalto final às expectativas de vida digna da maioria (os cidadãos) para garantir as expectativas de rentabilidade da minoria (o capital financeiro). A democracia perdeu a batalha mas só não perderá a guerra se as maiorias perderem o medo, se revoltarem dentro e fora das instituições e forçarem o capital a voltar a ter medo, como sucedeu há 60 anos. 

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Uma História de Amor e Fúria - Quem não conhece o passado vive na escuridão


Gostei deste filme. Numa parte do filme há menção à obra de Maquiavel.

As Lições Para o Príncipe Segundo Maquiavel
I – De quantas espécies são os principados e de quantos modos se adquirem.
Existe ou já existiram duas formas de Estado, República ou Principado. O principado pode ser hereditário, quando por sucessão (o poder mantido em uma mesma família), ou principado novo, quando um novo membro governa (um membro fora da família real). Estes Estados são conquistados por guerra ou por sorte.
II – Dos principados hereditários.
A preocupação neste capítulo é apenas em descrever como se conquista e se sustenta um principado hereditário, o poder se mantém em uma mesma família, assim a dificuldade de governar é menor, pois já se conhece a melhor maneira de conduzir o Estado.
III - Dos Principados mistos
Estados conquistado e anexadosum Estado antigo, se forem da mesma língua, são facilmente sujeitos. Basta fazer desaparecer a linha do príncipe que o dominava, pois mantendo-se na condição das coisas antigas os homens vivem calmamente. Então o conquistador, para mantê-los, deve ter duas regras: 1) fazer extinguir o sangue do príncipe anterior; 2) não alterar as leis nem os impostos. Desta forma se terá a união ao antigo Estado num período muito breve. Quando se conquista uma província de língua diferente e costumes diferentes começam então as dificuldades, sendo necessária uma grande habilidade e boa sorte para conservá-la. Com esta atitude os súditos ficarão satisfeitos e os ataques externos serão mais custosos, e assim o príncipe dificilmente perderá essa província...Conclui-se então que:
IV - Porque razão o reino de Dário, ocupado por Alexandre, não se rebelou contra os sucessores deste.
Analisando a forma de governar da Turquia e da França, no mesmo período em que Alexandre Magno conquistou a Ásia, fica fácil entender como não houve rebelião contra os sucessores de Dário. A monarquia Turca é dirigida por um senhor e seus servidores, que recebem províncias para administrar, ( O que dificulta uma invasão, já que os invasores têm que se preocupar com os servidores do Senhor).Já o rei da França é cercado de nobres, reconhecidos pelo próprio rei, ( o que facilita uma invasão, se houver uma aliança com alguns desses nobres ).O governo de Dário era semelhante aos turcos. Alexandre derrotou os inimigos em bloco e matou Dário, ou seja, iniciou seu ataque pelas províncias e chegou ao governo. O que não aconteceria com tanta facilidade com uma organização como a França, já que não seria só matar o rei, pois permaneceriam os nobres, que poderiam se revoltar contra o novo governo.
V – Da maneira de conservar Estados ou Principados, que, antes da ocupação, se regiam por leis próprias.
Maquiavel trata sobre o Estado que antes de conquistados tenham suas próprias leis, tais Estados devem ser arruinados, em seguida o governo deve residir ali e deixar que continuem com suas leis e impor-lhes tributos; criar um governo de poucos que se conservem amigos, porque nesses Estados em nome da liberdade perdida e antigas tradições sempre ocorrerão rebeliões. Assim, para conservar um república conquistada, o caminho mais seguro é destruí-la ou habitá-la pessoalmente.
VI – Dos principados novos que se conquistam pelas armas ou nobremente.
Os homens trilham quase sempre estradas já percorridas. Um homem prudente deve assim escolher os caminhos já percorridos pelos grande homens e imitá-los. Aqueles que por suas virtudes se tornam príncipes, conquistam o principado com dificuldade, mas se mantém facilmente.
VII – Dos principados novos que se conquistaram com armas e virtudes de outrem.
Aqueles que somente por fortuna se tornam príncipe, pouco trabalho têm para isso, mas se mantêm muito penosamente. Não têm nenhuma dificuldade em alcançar o posto, pois para aí voam, mas após sua chegada surge toda sorte de dificuldades. Tais príncipes estão na dependência exclusiva da boa vontade e da fortuna de quem lhes concedeu o Estado, isto é, de duas coisas extremamente volúveis e instáveis, e, além disso, não sabem ou não podem manter o principado: Não sabem porque, se não são homens de grande engenho ou virtude, não é razoável que, tendo vivido sempre em condições diferentes, saibam comandar; não podem, porque não contam com forças que lhes sejam, amigas e fiéis.
VIII – Dos que alcançaram o principado pelo crime.
Há duas maneiras de tornar-se príncipe e que não se podem atribuir totalmente à fortuna ou ao mérito: 1) Pela maldade, por vias celeradas, contrárias a todas leis humanas e divinas; 2) por mercê do favor de seus conterrâneos.
IX – Do principado civil.
O principado é estabelecido pelo povo ou pelos grandes, segundo a oportunidade que tiver uma destas partes. O que ascende pela ajuda dos poderosos se mantém com mais dificuldade do que aquele que é eleito pelo próprio povo. O que se torna príncipe mediante o favor do povo deve manter-se seu amigo, não os oprimindo, mas quem se torna príncipe por favor dos grandes, antes de mais nada, deve procurar conquistá-los.
X – Como se devem medir as forças de todos os principados.
Julgo capazes de manter-se por si, os príncipes que podem, em vista de ter abundância de homens ou de dinheiro, formar um exército forte e fazer frente a qualquer assaltante, tendo também cuidado de fortificar e municiar o próprio Estado bem como o de formar um celeiro farto de alimento, bebida e combustível.
XI – Os principados eclesiásticos.
Este principado sofre toda sorte de dificuldades, pois são conquistados ou pelo mérito ou pela fortuna. Mas mantêm-se sem qualquer uma das duas, pois são sustentados pela rotina da religião. Somente estes principados são por natureza felizes, pois possuem Estado e não os defendem, e nem por isso os são arrebatados; possuem súditos que não governam, nem por isso seus súditos tentam o colocar de lado.
XII – Dos gêneros de milícia e dos soldados mercenários
As principais bases de um Estado sejam de qual fase for, são boas leis e boas armas, porém para que haja boas leis é necessário que haja boas armas, mas que não sejam mercenárias, pois seus capitães ou são grandes militares ou não são nada. É melhor que as tropas sejam comandadas pelo príncipe ou pela República. A experiência ensina que os príncipes, agindo por si mesmos, e as Repúblicas armadas alcançam grande progresso.
XIII – Das tropas auxiliares, mistas e nativas.
As tropas auxiliares são como armas inúteis. São as que mandam algum auxílio, mas que no final te fazem prisioneiro. È melhor lutar com as forças próprias, mesmo que venha a perder, do que vencer com a força das outras e ter uma falsa vitória. Sem possuir armas próprias, nenhum principado está seguro.
XIV – Dos deveres do príncipe para com as suas tropas
Um príncipe não deve ter outro objetivo que não seja o de guerrear bem o de conhecer os regulamentos e a disciplina da guerra. Um príncipe que não entenda de milícia não pode ser estimado pelos seus soldados nem ter sua confiança.
XV – Das razões por que os homens e, especialmente, os príncipes, são louvados ou vituperados.
"É necessário a um príncipe, para se manter, que aprenda a poder ser mau...segundo a necessidade".É apresentada uma série de comparações entre qualidades virtuosas e vícios, porém salienta que sem determinados defeitos dificilmente poderia se salvar um governo.
XVI – Da liberdade e parcimônia (economia; poupança)
Para se manter entre os homens com a fama de liberal é necessário não omitir nenhuma suntuosidade, mas vivendo desta forma todas suas rendas serão consumidas. Desta forma será necessário proceder cruelmente no fisco e fazer tudo para se ter dinheiro, e isto não é bom, mas nocivo. Um príncipe deve gastar pouco para não consumir seus súditos.
XVII – Da crueldade e da piedade – se é melhor ser amado ou temido.
Todo príncipe deve desejar ser tido como piedoso e não cruel, mas empregando convenientemente essa piedade. Porém, se tiver de falhar em uma das qualidades, é muito mais seguro ser temido do que amado. Quando o príncipe estiver em campanha, não deverá se importar com a fama de cruel, porque sem ela jamais conseguirá manter um exército unido e disposto a qualquer ação.
XVIII – De que forma os príncipes devem guardar a fé da palavra dada.
É de grande vali um príncipe (governante) agir dentro de uma conduta moral-ética irrepreensível, para que conquiste e mantenha o respeito e obediência de seus súditos. Pelas leis, deverá um príncipe governar com autoridade cumprindo e fazendo cumprir todas as determinações legais que são impostas a todo o principado (país). Já o uso da força somente deverá ser colocado em prática depois de esgotados os recursos civilizados (pacíficos). Cabe ao príncipe ser astuto e valente, bom e mau, dentro de suas necessidades e conveniências administrativas, não expressar nenhum sentimento humano, mas apenas demonstrá-los pela expressão facial, pois é próprio do homem a leitura pela imagem. Cabe ao príncipe pregar a paz e a fé, defendendo seu principado, empregando para tanto os meios que lhe fizer necessário: e será enaltecido pelo povo, que se contenta pela aparência.
XIX – De como se deve evitar ser desprezado e odiado.
Cabe ao príncipe preocupar-se em não ser odiado e desprezível, passando desapercebidos os outros defeitos. Apropriando-se dos bens e das mulheres de seus súditos, por eles será odiado. Ser volúvel, leviano, efeminado, pusilânime (covarde), e irresoluto, torna o príncipe desprezível. Uma ordem, determinação ou sentença de um príncipe, de maneira alguma deve ser descumprida, pois se isto acontecer o príncipe perde sua autoridade. Para que o príncipe tenha respeito externo, deve ter muitas e boas armas, bem como um contingente de amigos externos, pois assim sendo terá a admiração e manterá a estabilidade social e política interna do principado. Aquele que conquistar o apoio, a admiração, o respeito, a confiança política e o bem-querer de seu povo, pode estar protegido das conspirações a que possa sofrer. É notável ao príncipe compartilhar em parte o seu governo. Ele deve buscar o apoio dos poderosos e a confiança e admiração do povo.
XX - Se as fortalezas e muitas outras coisas que dia a dia são feitas pelo príncipe são úteis ou não.
É conveniente ao príncipe novo armar seus súditos, mas quando conquista um novo Estado é prudente desarmar aquele Estado e entregar estas a seus próprios soldados. A melhor arma que um príncipe pode ter é não ser odiado pelo povo. Para tornar-se grande, o príncipe deve superar obstáculos e desestabilizar toda oposição. É prudente também que o príncipe construa fortaleza a fim de resguardar a segurança de seu Estado, sendo um refúgio que o proteja de ataques surpresa. É louvável à um príncipe (estadista) a precaução e uma visão futurista, principalmente em se tratando de segurança.
XXI – O que a um príncipe convém realizar para ser estimado.
Um príncipe conquista a estima popular através de realizações de grandes empreendimentos e de demonstrar exemplos pouco costumeiros. Um príncipe deve manter uma conduta irrepreensível, não deve dar margem a críticas desconstrutivas. Deve estar, sempre, acima de toda especulação, interna e externa. O príncipe deve ser digno e justo, amigo e grato, para com os principados vizinhos e aliados. Ao príncipe cabe promover e participar de festejos, espetáculos e comemorações populares, demonstrando assim carisma para com o povo e recebendo respeito e admiração de todo principado.
XXII – Dos ministros dos príncipes.
É prudente ao príncipe um minucioso estudo para a escolha de seus ministros e formulação de uma equipe de governo, para que esta seja composta por pessoas competentes, fiéis e de conduta fiel inabalável. O príncipe deve conhecer bem seus ministros sobrepondo-se a seus pensamentos, avaliando se o ministro pensa apenas em si ou no Estado, pois se pensa apenas em si este prejudica o Estado devendo, portanto ser excluído do governo. Mas se o ministro é fiel e pensa e pensa exclusivamente nas questões do Estado, este deve ser dignificado, elogiado, recompensado e admirado pelo príncipe.
XXIII – De como se evitam os aduladores.
Um príncipe prudente deve afastar-se de aduladores e desconsiderar seus conselhos, é digno de um príncipe buscar a serenidade e a fidelidade dos sábios, mas quando entender que seja necessário. A príncipe cabe deliberar sobre a verdade, mas não deve demonstrar seu desprazer. É de um príncipe prudente compreender e avaliar os conselhos que lhe são dirigidos avalizando o seu conteúdo, e, por fim, acatar ou não.
XXIV – Porque os príncipes da Itália perderam seus Estados.
Entre os senhores da Itália que perderam seus Estados encontra-se um defeito comum quanto as armas; depois se verá quer alguns deles ou foram hostilizados pelo povo, ou não souberam neutralizar os grandes, porque sem estes defeitos, não se perdem Estados.
XXV – De quanto pode a fortuna nas coisas humanas e de que modo se deve resistir-lhe.
Não é desconhecido que muitos têm tido e têm a opinião de que as coisas do mundo são governadas pela fortuna e por Deus, de modo que a prudência dos homens não pode corrigi-las, e mesmo não lhes traz remédio algum. Quando um príncipe se apóia totalmente na fortuna, arruína-se segundo as variações daquela. Em relação aos caminhos que os levam à finalidade que procuram, isto é, glória e riquezas, costumam os homens proceder de modos diversos: Um com circunspeção com impetuosidade, um pela violência, outro pela astúcia, cada um Poe estes diversos modos pode alcançar aqueles objetivos. Assim, dois agindo diferentemente alcançam o mesmo efeito, e dois agindo igualmente, uma vai direto ao fim e outro não. Porém o homem circunspeto, quando chega a ocasião de ser impetuoso não o sabe ser, e por isso se arruína. 
XXVI – Exortação aos príncipes para livrar a Itália das mãos dos bárbaros.
Consideradas, pois todas as coisas acima referidas e pensando comigo mesmo, se na Itália, os tempos presentes poderiam prometer honras a um príncipe novo e se havia matéria que desse a oportunidade de introduzir umanova ordem que lhe desse fama, e prosperidade para o povo, pareceu-me que há tantas coisas favoráveis a um príncipe novo que na sei de época mais propícia para a realização daqueles propósitos. Assim tendo ficado como que sem vida, espera a Itália aquele que lhe possa curar as feridas já há muito tempo apodrecidas. Não se deve. Portanto, deixar passar esta ocasião a fim de fazer com que a Itália, depois de tanto tempo, encontre um redentor.
Considerações finais
Para Maquiavel, um príncipe não deve medir esforços nem hesitar, mesmo que diante da crueldade ou da trapaça, se o que estiver em jogo for à integridade nacional e o bem do seu povo.Para Maquiavel, como renascentista que era, quase tudo que veio antes estava errado. Esse tudo deve incluir os pensamentos e as idéias de Aristóteles. Ao contrário deste, Maquiavel não acredita que a prudência seja o melhor caminho. Para ele, a coerência está contida na arte de governar. Maquiavel procura a prática. A execução fria das observações meticulosamente analisadas, feitas sobre o Estado e a sociedade. Maquiavel segue o espírito renascentista, inovador. Ele quer superar o medieval. Quer separar os interesses do Estado dos dogmas e interesses da igreja.
Bibliografia
MAQUIAVEL, Nicolau - O Príncipe, trad. De Livio Xavier - 2a. Ed. São PAulo: Abril Cultural, 1979 ( Os pensadores)


Leia mais em: http://www.webartigos.com/artigos/as-licoes-para-o-principe-segundo-maquiavel/13002/#ixzz4F3YWAy1j

Um instante pode ser uma eternidade - Edson Strogulski

Não tenho o desejo de que o dia passe rapidamente,
tão pouco espero ansiosamente pelo sábado
e sim que o tempo trave para melhor aproveitá-lo,
isso é o que sempre digo e
aconselho a desejar também,
pois quando estiver em idade avançada a ponto de não ter mais o tempo que necessita
lembrarás destes dias que desejou acelerar
Então curta cada segundo e viva com qualidade e harmonia
não importando que esteja cansado a ponto que o dia voe


by Edson Strogulski

quarta-feira, 20 de julho de 2016

Banalidade do Mal

https://acasadevidro.com/2016/02/18/estudos-filosoficos-a-banalidade-do-mal-e-sua-tenebrosa-atualidade-reflexoes-na-companhia-de-hannah-arendt-stanley-milgram/

https://acasadevidro.com/2016/02/18/estudos-filosoficos-a-banalidade-do-mal-e-sua-tenebrosa-atualidade-reflexoes-na-companhia-de-hannah-arendt-stanley-milgram/

O capitalismo como está estruturado hoje funciona? Para quem?

Não funciona para quem? O capitalismo do modo como está estruturado funciona, por exemplo, para um 1% da população mundial que detém 99% da riqueza total (http://g1.globo.com/.../1-da-populacao-global-detem-mesma...). Quanto a uma experiência socialista que deu certo, há quem defenda que ocorreu com os índios Guaranis...

terça-feira, 19 de julho de 2016

O imposto é necessário. É como o condomínio que pagamos num prédio. Outra coisa é a quantidade de tributos. Muita coisa se resolveria com uma reforma tributária. Tem economista pregando que uma reforma tributária já enriqueceria toda população em 10%. E sou contra esse esterilização forçada. Isso soa fascista. Até porque toneladas de comida vão fora todos os dias a mando de capitalistas míopes que colocam o excedente fora para manter os preços altos....

O Assistencialismo em si não é o problema...

inspirando-se em Paulo Freire: esse papo de ensinar a pescar é válido. Mas como o sujeito vai prestar atenção na "aula" com fome? Além de ensinar a pescar, tem que dar o peixe por tempo determinado. O assistencialismo em si não é o problema. A questão é se ele é libertador ou não...



O MP está encastelado?

Lembro de uma interessante análise realizado pelo Professor Antonio Marcelo Pacheco na ocasião de uma palestra para Defensores Públicos do RS no sentido de que, quando uma instituição se estrutura de forma demasiada, ela corre o risco de inevitavelmente ir se afastando da sociedade. Citava o exemplo do Ministério Público que estava encastelado, advertindo com isso a Defensoria Pública acerca deste risco para que não siga o mesmo destino, já que está aos poucos estaria se estruturando...
ConJur – Como que o senhor avalia o MP atualmente?
Eugênio Aragão – O MP desviou-se muito daquilo que se pensou que ele fosse na Constituição de 1988 – o MP cidadão, que realmente atuaria com transparência e parceria com a governabilidade para transformar o país. O órgão se ideologizou, se apaixonou pelo fetiche criminalista, e relegou muitas de suas funções mais preciosas em nome de um fortalecimento da perseguição penal. Com isso, ele deu uma guinada para a direita – hoje, o MP é profundamente conservador. Não foi bem isso que a gente pensava quando brigou na Assembleia Constituinte pelo fortalecimento do MP.
ConJur – O MP é um órgão transparente?
Eugênio Aragão – Não é. Apesar de suas decisões serem tornadas públicas, apesar de ter no site seus pareceres e tudo o mais, os debates ainda são muito feitos entre quatro paredes. Principalmente os debates estratégicos. A gente não sabe claramente para onde a “lava jato” vai. A sociedade quer saber, mas só fica sabendo do aspecto espetacular dela, e não da estratégia que está por trás disso – se é que existe alguma.

http://www.conjur.com.br/2016-jul-17/entrevista-eugenio-aragao-ex-ministro-justica-membro-mpf

segunda-feira, 18 de julho de 2016

Vanguarda Jurídica


estava assistindo a um vídeo ontem da década de 90 (mas ainda assim atual) sobre a vanguarda jurídica em que Lenio Luiz Streck fazia uma crítica sobre o manuais. Dizia que talvez a razão de não haver um exemplo real nos manuais seria justamente para não estimular a absolvição em situações tais como do furto famélico de uma pessoa pobre no supermercado. Daí a razão de exemplos tão fora da realidade e inúteis....

José Saramago – 01

“Posto diante de todos estes homens reunidos, de todas estas mulheres, de todas estas crianças (sede fecundos, multiplicai-vos e enchei a terra, assim lhes fora mandado), cujo suor não nascia do trabalho que não tinham, mas da agonia insuportável de não o ter, Deus arrependeu-se dos males que havia feito e permitido, a um ponto tal que, num arrebato de contrição, quis mudar o seu nome para um outro mais humano. Falando à multidão, anunciou:’A partir de hoje chamar-me-ei Justiça.’E a multidão respondeu-lhe: Justiça, já a temos, e não nos atende. E disse Deus: Sendo assim tomarei o nome de Direito. E a multidão tornou a responder-lhe: Direto, já nós temos, e não nos conhece. E Deus: Nesse caso, ficarei com o nome de Caridade, que é um nome bonito. Disse a multidão: Não necessitamos de caridade, o que queremos é uma Justiça que se cumpra e um Direto que nos respeite. Então Deus compreendeu que nunca tivera, verdadeiramente, no mundo que julga seu, o lugar de majestade que havia imaginado, que tudo fora, afinal, uma ilusão, que também ele tinha sido vítima de enganos, como aqueles de que se estavam queixando, as mulheres, os homens e as crianças e, humilhado, retirou-se para a eternidade. A penúltima imagem que ainda viu foi a de espingardas apontando para a multidão, o penúltimo som que ouviu foi dos disparos, mas a última imagem já havia corpos caídos sangrando, e o último som esta cheio de gritos e lágrimas”.



https://aguerranuncaacaba.blogspot.com.br/2013/11/direito-razao-e-poder-o-saber-juridico.html