A injustiça avança hoje a passo firme; Os tiranos fazem planos para dez mil anos. O poder apregoa: as coisas continuarão a ser como são Nenhuma voz além da dos que mandam E em todos os mercados proclama a exploração; isto é apenas o meu começo.
Mas entre os oprimidos muitos há que agora dizem Aquilo que nós queremos nunca mais o alcançaremos.
Quem ainda está vivo não diga: nunca O que é seguro não é seguro As coisas não continuarão a ser como são Depois de falarem os dominantes Falarão os dominados Quem pois ousa dizer: nunca De quem depende que a opressão prossiga? De nós De quem depende que ela acabe? Também de nós O que é esmagado que se levante! O que está perdido, lute! O que sabe ao que se chegou, que há aí que o retenha E nunca será: ainda hoje Porque os vencidos de hoje são os vencedores de amanhã.
Segundo a análise do professor José Paulo Netto, o capitalismo esgotou sua função civilizatória nas últimas décadas (função esta sempre acompanhada de barbárie, apesar de progressista), sobrando para o momento apenas seu efeito colateral: a barbárie.
Afora a interferência antidemocrática na política econômica dos países de uma forma criminosa, bárbara, na qual 7 famílias ditam as regras da economia global (a mão invisível do mercado parece ter dona para desespero dos (neo)liberais), não é à toa que a indústria armamentista vem apresentando crescimento espantoso, principalmente nos EUA (país este que em conjunto com as principais potências - China, Rússia, além do Brasil, mais encarcera no mundo).
Não é obra do azar também que vivemos uma militarização, um estado de guerra em tampos de paz formal, dentro dos próprios limites territoriais dos países (já que a guerra entre nações seria suicídio coletivo).
Não é por acaso a substituição do Estado de bem-estar social (welfare state) por um estado policialesco, com a proliferação de leis penais e a criminalização dos pobres. Não é à toa que só temos políticas públicas assistencialistas sem caráter emancipador, estrutural como a reforma agrária.
Dá pra entender o porquê, por exemplo, do próprio tema da segurança pública, tipicamente de competência estadual, chegar à esfera das eleições municipais como a principal pauta.
Espero que toda esta análise não passe de um delírio de um "esquerdista" comunista para que não tenhamos que vivenciar a crueldade de um sistema econômico dependente do lucro em cima da tragédia humana que explora o trabalho alheio, apropriando-se de seu valor e roubando o seu tempo (este sim o bem mais precioso que deveria merecer a atenção das agências penais juntamente com relação aos crimes contra a economia popular).