Onde está(rá) o interesse público (na "democracia"
burguesa)?
- Onde está o interesse público?
Essa era a pergunta provocativa realizada para as partes, num certo
processo coletivo, por um magistrado trabalhista. Entendi a intenção
do julgador, mas ao mesmo tempo percebi no contato com o real a
evidente impossibilidade mas uma vez de conciliar trabalho e capital,
preservando o interesse público, principalmente na atual crise
econômica.
De um lado, os sindicatos, em geral, (ao menos aqueles em que seus
dirigentes ainda menosprezam a teoria e não têm uma visão mais
ampla de projeto de país/mundo, limitando-se às especificidades de
sua categoria, como infelizmente talhado para funcionar) pensará
apenas em princípio no interesse de sua categoria que poderá ser
apresentado retoricamente como interesse público.
Do outro lado, o gestor público, no atual sistema econômico em o
que lucro está acima da vida também defenderá sua posição como
se fosse presumivelmente o interesse público encarnado, mas que numa
análise crítica mais atenta e menos ingênua se fará notar
interesses outros que não o apresentado, o do capital.
Herdamos da ideologia esta ideia de que o interesse público
resultaria da soma de todos os interesses privados e estamos pagando
caro o preço por isso.
Não é à toa que os militares voltaram ao poder, pois sempre
pensaram mais no todo e de forma mais estratégica que os partidos da
redemocratização burguesas, estes limitados à pressão dos lobbys,
do corporativismo e das frações do capital como um todo, ou seja, o
Estado como um balcão de negócios, como já alertava Marx.
Nessa conjuntura, as instituições também não conseguem responder
a estas demandas pois também estão regidas em última instância
pela lógica do capital.
E para 99% do povo o que resta? Onde estará o interesse público na
democracia burguesa? Democracia burguesa parece um contrassenso,
porque a palavra democracia denota um sentido de poder emanando do
povo e não de uma elite plutocrata. Como o próprio Delfim Netto
afirmou, a democracia morre pelo seu excesso.
Por isso talvez que Marx falava na tal ditadura dos trabalhadores que
ao cabo significava não seu desprezo pela democracia, mas baseada na
sua análise não idealista que tal conceito devesse ser construído
historicamente por aquela classe que é a maior na sociedade atual e
vocacionadamente no futuro assumir o poder. devendo, pois, ocupar
majoritariamente a gestão do Estado numa fase de transição
socialista até chegar numa nova organização política com vistas à
emancipação humana: o comunismo.
Enfim, a tal audiência de conciliação não restou exitosa, e tal
fato é somente mais uma evidência, dentre tantas outaras, de que no
atual sistema econômico o interesse comum não poderá ser
encontrado.
Interesse público ou o bem comum talvez só no COMUnismo....