Elogio da dialética

A injustiça avança hoje a passo firme;
Os tiranos fazem planos para dez mil anos.
O poder apregoa: as coisas continuarão a ser como são
Nenhuma voz além da dos que mandam
E em todos os mercados proclama a exploração;
isto é apenas o meu começo.

Mas entre os oprimidos muitos há que agora dizem
Aquilo que nós queremos nunca mais o alcançaremos.

Quem ainda está vivo não diga: nunca
O que é seguro não é seguro
As coisas não continuarão a ser como são
Depois de falarem os dominantes
Falarão os dominados
Quem pois ousa dizer: nunca
De quem depende que a opressão prossiga? De nós
De quem depende que ela acabe? Também de nós
O que é esmagado que se levante!
O que está perdido, lute!
O que sabe ao que se chegou, que há aí que o retenha
E nunca será: ainda hoje
Porque os vencidos de hoje são os vencedores de amanhã.

Bertolt Brecht


sexta-feira, 7 de outubro de 2016

O poder político da Igreja é resultado da omissão do poder público com os mais pobres.

Ao enviar um sedex pelos correios, perguntei à atendente uma curiosidade: se as pessoas ainda enviam muita carta. A resposta foi no sentido de ter havido diminuição, mas que as pessoas ainda enviam muito, pedindo curas de doenças, principalmente para o Rio de Janeiro.
Fiquei pensando nas eleições do Rio de Janeiro (em que há claramente uma divisão nesse sentido entre a esquerda progressista com o PSOL e um candidato da igreja universal) e no poder político que as igrejas tem.
Com todas as críticas que se possa fazer à igreja, há um fato, um tapa de luvas. Está sempre presente com relação aos pobres, suprindo um papel que deveria ser também do poder público (vide por exemplo o método APAC de iniciativa da Igreja Católica).
É o preço que se pega pela omissão do poder público, de certos oportunistas, que somente procuram os mais necessitados somente em períodos eleitorais com promessas milagrosas. A igreja, nas suas mais variadas correntes, ao menos não os procura apenas às vésperas da eleição.

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