Elogio da dialética

A injustiça avança hoje a passo firme;
Os tiranos fazem planos para dez mil anos.
O poder apregoa: as coisas continuarão a ser como são
Nenhuma voz além da dos que mandam
E em todos os mercados proclama a exploração;
isto é apenas o meu começo.

Mas entre os oprimidos muitos há que agora dizem
Aquilo que nós queremos nunca mais o alcançaremos.

Quem ainda está vivo não diga: nunca
O que é seguro não é seguro
As coisas não continuarão a ser como são
Depois de falarem os dominantes
Falarão os dominados
Quem pois ousa dizer: nunca
De quem depende que a opressão prossiga? De nós
De quem depende que ela acabe? Também de nós
O que é esmagado que se levante!
O que está perdido, lute!
O que sabe ao que se chegou, que há aí que o retenha
E nunca será: ainda hoje
Porque os vencidos de hoje são os vencedores de amanhã.

Bertolt Brecht


terça-feira, 13 de setembro de 2016


O discurso da meritocracia só é útil quando convém.


Quando convém ao empresariado, a culpa da economia estar em crise é do governo, nunca da gestão empresarial. Em outras palavras, se a empresa quebra é culpa das medidas intervencionistas na economia do Estado.

Por outro lado, se o pobre não consegue ingressar na universidade é culpa dele exclusivamente.

Será que a queda nas vendas pode ser atribuída simplesmente à falta de dinheiro ou à inflação? Ou pode estar havendo uma lenta mudança cultural em que o consumismo está deixando aos poucos de ser critério de qualidade de vida?

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