Alguns fatos recentemente ocorridos ensejam a profundas reflexões no âmbito da moral e da ética, mormente no que concerne à possibilidade de, hodiernamente, se colocar preço em tudo. Dois exemplos bastante elucidativos, amplamente divulgados pela mídia, que demonstram bem situações em que a lógica do mercado não deveria estar presente, são os casos do mensalão e do leilão da virgindade de uma jovem.
No que tange ao mensalão, não há dúvida de que a compra de votos demonstra o lado perverso dessa tendência atual de se crer que tudo se resolve com dinheiro. Isso porque, nessa hipótese, estão presentes interesses indisponíveis de todo um país, de toda uma coletividade, tais como a saúde, educação, economia e, em última análise, a própria vida de inúmeras pessoas. Por conseguinte, caso não haja uma mudança radical nessa lógica materialista, uma nação inteira pode entrar em colapso.
Quanto ao leilão da virgindade de Ingridi Megliorini, parece claro ser outro acontecimento que merece especial atenção da sociedade, sob pena de serem trivializados valores morais indispensáveis para a vida em coletividade com o mínimo de civilidade. Em que pese a comercialização do próprio corpo ser uma prática antiga e até certo ponto aceita por alguns, há que se colocar um limite na busca desenfreada de se acumularem riquezas a qualquer custo. É tempo, pois, de se corrigir a ideia míope e ultrapassada de traduzir felicidade em bens materiais exclusivamente.
Da corrupção no Congresso Nacional ao consumo de si próprio, traduzido não só neste leilão, como no caso da prostituição, demonstra-se que infelizmente a Lex Mercatoria tem permeado em todos âmbitos (privado e público). Por outro lado, talvez seja apenas parte de um estágio de evolução moral o qual precisa-se vivenciar, a fim de se afirmar uma base de valores sólida indispensável ao progresso civilizatório.
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