A injustiça avança hoje a passo firme; Os tiranos fazem planos para dez mil anos. O poder apregoa: as coisas continuarão a ser como são Nenhuma voz além da dos que mandam E em todos os mercados proclama a exploração; isto é apenas o meu começo.
Mas entre os oprimidos muitos há que agora dizem Aquilo que nós queremos nunca mais o alcançaremos.
Quem ainda está vivo não diga: nunca O que é seguro não é seguro As coisas não continuarão a ser como são Depois de falarem os dominantes Falarão os dominados Quem pois ousa dizer: nunca De quem depende que a opressão prossiga? De nós De quem depende que ela acabe? Também de nós O que é esmagado que se levante! O que está perdido, lute! O que sabe ao que se chegou, que há aí que o retenha E nunca será: ainda hoje Porque os vencidos de hoje são os vencedores de amanhã.
estava assistindo a um vídeo ontem da década de 90 (mas ainda assim atual) sobre a vanguarda jurídica em que Lenio Luiz Streck fazia uma crítica sobre o manuais. Dizia que talvez a razão de não haver um exemplo real nos manuais seria justamente para não estimular a absolvição em situações tais como do furto famélico de uma pessoa pobre no supermercado. Daí a razão de exemplos tão fora da realidade e inúteis....
“Posto diante de todos estes homens reunidos, de todas estas mulheres, de todas estas crianças (sede fecundos, multiplicai-vos e enchei a terra, assim lhes fora mandado), cujo suor não nascia do trabalho que não tinham, mas da agonia insuportável de não o ter, Deus arrependeu-se dos males que havia feito e permitido, a um ponto tal que, num arrebato de contrição, quis mudar o seu nome para um outro mais humano. Falando à multidão, anunciou:’A partir de hoje chamar-me-ei Justiça.’E a multidão respondeu-lhe: Justiça, já a temos, e não nos atende. E disse Deus: Sendo assim tomarei o nome de Direito. E a multidão tornou a responder-lhe: Direto, já nós temos, e não nos conhece. E Deus: Nesse caso, ficarei com o nome de Caridade, que é um nome bonito. Disse a multidão: Não necessitamos de caridade, o que queremos é uma Justiça que se cumpra e um Direto que nos respeite. Então Deus compreendeu que nunca tivera, verdadeiramente, no mundo que julga seu, o lugar de majestade que havia imaginado, que tudo fora, afinal, uma ilusão, que também ele tinha sido vítima de enganos, como aqueles de que se estavam queixando, as mulheres, os homens e as crianças e, humilhado, retirou-se para a eternidade. A penúltima imagem que ainda viu foi a de espingardas apontando para a multidão, o penúltimo som que ouviu foi dos disparos, mas a última imagem já havia corpos caídos sangrando, e o último som esta cheio de gritos e lágrimas”.
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