DIREITO, ECONOMIA, POLÍTICA E CULTURA
Elogio da dialética
A injustiça avança hoje a passo firme;
Os tiranos fazem planos para dez mil anos.
O poder apregoa: as coisas continuarão a ser como são
Nenhuma voz além da dos que mandam
E em todos os mercados proclama a exploração;
isto é apenas o meu começo.
Mas entre os oprimidos muitos há que agora dizem
Aquilo que nós queremos nunca mais o alcançaremos.
Quem ainda está vivo não diga: nunca
O que é seguro não é seguro
As coisas não continuarão a ser como são
Depois de falarem os dominantes
Falarão os dominados
Quem pois ousa dizer: nunca
De quem depende que a opressão prossiga? De nós
De quem depende que ela acabe? Também de nós
O que é esmagado que se levante!
O que está perdido, lute!
O que sabe ao que se chegou, que há aí que o retenha
E nunca será: ainda hoje
Porque os vencidos de hoje são os vencedores de amanhã.
quinta-feira, 14 de julho de 2016
Dicas para conversar com o Ministros do STJ por Aury Lopes Júnior
"Saio muito satisfeito das conversas que tive com os Ministros Sebastião Reis Jr., Nefi Cordeiro, Schietti Cruz e Maria Thereza, que me receberam com muita atenção e simpatia, como de costume. No final da conversa com o Min. Sebastião, me confidenciou que gostava de receber advogados, pois alertavam para questões importantes dos processos que as vezes passavam despercebidas.
Na saída de um dos gabinetes encontrei dois jovens colegas que também iam conversar com ministros e me pediam algumas "dicas". Vou resumir nessa postagem a minha forma de agir, que pode não ser a melhor, mas vai ajudar alguns jovens advogados em suas visitas aos tribunais:
1. Seja objetivo, claro e pontual. Saiba exatamente o que quer dizer e onde quer chegar.
2. Conheça o processo, vc pode ser surpreendido com perguntas inesperadas ou mesmo com o profundo conhecimento do julgador sobre o caso, que vc jamais imaginou. Fraqueza nesse momento coloca tudo por água abaixo...
3. Conheça a posição daquele ministro e daquela turma na matéria. Isso ajuda muito e demostra respeito pelos julgados, mesmo que vc não concorde, mas precisa conhecer.
4. Seja humilde. Não tente ensinar direito para o julgador. Esse é um pecado mortal. Esse não é o momento.
5. Leve memoriais curtos e objetivos. Alguns ministros pedem no máximo 02 folhas...No início eu me espantava com esse limite. Hj compreendo perfeitamente: se vc tem uma boa tese, for claro e objetivo, vc expõe em duas folhas. Se não tiver isso, pode gastar 200 páginas que não resolve... Nos tribunais de segundo grau, onde se discute provas, pode passar desse limite, mas não exceda as 15 páginas.
6. Mostre a tese e a prova que a sustenta. A musculatura jurídica está no recurso. De novo: não tente ensinar direito para o julgador nesse momento....Argumente se necessário, mas não faça um debate sobre teses. Se ele refutar, guarde para a sustentação oral...
7. Se vc quer ser lido, escreva de forma muito clara, em tópicos. Seja cirúrgico nos argumentos e não peque por vaidades linguísticas. Digitalize e cole no texto as partes imprescindíveis de documentos e depoimentos. Facilite a cognição.
8. Seja honesto e leal na análise da prova. Perder a credibilidade é um pecado mortal.
9. Seja educado e formal. Peque por excesso de formalidade nessa hora, mas não por excesso de intimidade ou informalidade. Saiba ouvir o que ele tem para dizer.
10. Ministros, desembargadores e juízes, possuem trabalho demais e tempo de menos. Não os ocupe com amenidades. Não tome café em gabinete. Se sentar, não se acomode muito. Não passe dos 15 minutos, exceto em casos extremos.
Por último: Não seja inconveniente. Não fale de política. Não fale de futebol. Seja educado e simpático, mas objetivo e direto. Fale do processo e do ponto central da tese.
Jamais pressione por uma posição ou decisão neste momento, jamais.
Fica a dica!"
Aury Lopes Júnior
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