Elogio da dialética

A injustiça avança hoje a passo firme;
Os tiranos fazem planos para dez mil anos.
O poder apregoa: as coisas continuarão a ser como são
Nenhuma voz além da dos que mandam
E em todos os mercados proclama a exploração;
isto é apenas o meu começo.

Mas entre os oprimidos muitos há que agora dizem
Aquilo que nós queremos nunca mais o alcançaremos.

Quem ainda está vivo não diga: nunca
O que é seguro não é seguro
As coisas não continuarão a ser como são
Depois de falarem os dominantes
Falarão os dominados
Quem pois ousa dizer: nunca
De quem depende que a opressão prossiga? De nós
De quem depende que ela acabe? Também de nós
O que é esmagado que se levante!
O que está perdido, lute!
O que sabe ao que se chegou, que há aí que o retenha
E nunca será: ainda hoje
Porque os vencidos de hoje são os vencedores de amanhã.

Bertolt Brecht


quarta-feira, 13 de julho de 2016

Posts recentes no facebook: falência da pena de prisão e perda de legitimidade para o Estado punir



Não há nenhum estudo científico que demonstre que a impunidade é causa ou principal causa da criminalidade, o Direito Penal chega quando o crime já ocorreu e nunca cumpriu o que prometera (Professor Amilton Bueno de Carvalho). Isso de que o problema é a impunidade é pregado pelo senso comum. Nunca se puniu tanto. Teria que se fazer um presídio por mês para dar conta da demanda (conforme entrevista disponibilizada na mídia com Dr. Sidney Brzuska, juiz da Vara de Execuções Criminais de Porto Alegre). Criminalidade é um fenômeno complexo cujas causas nem sempre estão acessíveis à compreensão lógica (Professor Salo de Carvalho).


 O que não significa que sanções alternativas não podem ser mais eficazes para situações específicas, pontuais. Se tu fores radical nesta ideia de que prisão é para criminosos, ninguém escapa. Tu, por exemplo, acabou de chamar uma socióloga de retardada, sem sequer refutar as ideias dela de forma respeitosa e civilizada. Ou seja, um intérprete da lei poderia ter te enquadrado no crime de injúria e tu serias um criminoso. O que poucos compreendem, é que uma coisa é tu dizer que a pessoa É outra é que ela AGIU de forma tal. Ou seja, uma coisa é tu afirmar que a pessoa é criminosa, outra é que ela agiu de forma criminosa. Ou: o fulano é esquizofrênico ao invés de dizer fulano está tendo uma experiência esquizofrênica.



O Estado cada vez mais perde a legitimidade para punir quem quer que seja com um sistema tributário irracional de caráter confiscatório associado a uma má gestão do dinheiro público, uma educação de péssima qualidade e um total descaso com políticas públicas de inclusão social.



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