Elogio da dialética

A injustiça avança hoje a passo firme;
Os tiranos fazem planos para dez mil anos.
O poder apregoa: as coisas continuarão a ser como são
Nenhuma voz além da dos que mandam
E em todos os mercados proclama a exploração;
isto é apenas o meu começo.

Mas entre os oprimidos muitos há que agora dizem
Aquilo que nós queremos nunca mais o alcançaremos.

Quem ainda está vivo não diga: nunca
O que é seguro não é seguro
As coisas não continuarão a ser como são
Depois de falarem os dominantes
Falarão os dominados
Quem pois ousa dizer: nunca
De quem depende que a opressão prossiga? De nós
De quem depende que ela acabe? Também de nós
O que é esmagado que se levante!
O que está perdido, lute!
O que sabe ao que se chegou, que há aí que o retenha
E nunca será: ainda hoje
Porque os vencidos de hoje são os vencedores de amanhã.

Bertolt Brecht


quarta-feira, 13 de julho de 2016

A Inclusão social da pessoa com deficiência como fator essencial para correção de deficiências na sociedade.

“Se você não tiver sensibilidade para perceber a limitação do outro, não terá para perceber a sua própria. Cada um de nós tem limitações e temos que enfrentá-las todos os dias. A minha é de não andar, a do outro, talvez, seja de não conseguir pegar algum objeto com as mãos ou ainda não saber se concentrar. Cada um, integrando a humanidade, está aqui para evoluir. E devemos auxiliar um ao outro. Precisamos muito desse ‘despertar’ de saber olhar para o outro com sensibilidade, com amor".  http://www.cantinhodoscadeirantes.com.br/2016/07/professora-paraplegica-acredita-na.html?m=1
 


Analisando a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e o Estatuto da Pessoa com Deficiência que completa um ano de vigência em janeiro de 2017, comecei a refletir sobre uma ideia que, para muitos pode parecer óbvia, para outros nem tanto: um deficiente pode ter uma percepção melhor da realidade do que alguém tido como não deficiente na acepção dada pela lei.
Um cego pode perceber a realidade melhor que alguém que enxerga normalmente. Um cadeirante pode ter uma sensibilidade para situações difíceis muito maior que alguém não passou por tantas dificuldades/necessidades pela vida. Um deficiente mental pode analisar uma obra de arte de uma forma totalmente inovadora por não ter compromisso consciente com a aceitação social.
Mais, a inclusão de uma pessoa nesta condição tem uma grande probabilidade de contribuir ao seu meio social, corrigindo uma deficiência do olhar de alguém tido como normal, já que, por ter uma experiência diferente, poderá notar determinada situação que ninguém vê ou percebe.
Talvez chegue-se à conclusão que todos, sem nenhuma exceção, podem se enquadrar em alguma deficiência no seu sentido amplo (intelectual, moral, físico etc).

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